Evidência

Estudo de simulação do trânsito urbano de Guimarães

Não há nenhum estudo público que mostre que uma estrada sobre a Ecopista resolve o trânsito da cidade. Em vez de esperar, vamos fazê-lo: um modelo aberto, com dados reais, revisto por pares, para que a decisão seja informada.

62,9%
das deslocações no concelho em transporte individual
0,13%
das deslocações em bicicleta (2011). A rede é «incipiente, descontínua e incoerente»
+32,6%
de tráfego nas A7/A11 no concelho, 2012–2022
77,1%
das deslocações da freguesia da Costa feitas de automóvel

Fonte: Estudos de Caracterização e Diagnóstico da 2.ª revisão do PDM, Vol. VI, e PMUS.

Porque é que mais uma estrada não resolve

Há meio século que a investigação em transportes documenta a procura induzida: nova capacidade rodoviária em zonas urbanas congestionadas é absorvida por novas viagens em poucos anos, e o congestionamento regressa ao nível anterior. Guimarães, com a taxa de motorização a subir de 55% para 73% numa década, é o caso de escola.

Nada disto significa que o problema de trânsito da Avenida D. João IV e do acesso à Costa não seja real. Significa que a solução tem de ser demonstrada, não presumida. Se a simulação mostrar que a via sobre a Ecopista é a melhor opção, publicá-lo-emos. Se mostrar o contrário, a Câmara e a Assembleia terão de o explicar.

Cenários a simular

S0 · Base

Rede actual, calibrada com contagens de 2026, horários do Guimabus e da CP, e volumes do diagnóstico do PDM.

S1 · Via sobre a Ecopista

Ligação Avenida D. João IV – Costa conforme o PDM. Com e sem procura induzida (elasticidades da literatura).

S2 · Transporte público

Avenida D. João IV requalificada com prioridade ao autocarro, reforço de frequência do Guimabus nas linhas da Costa, Mesão Frio e Urgezes, MetroBus.

S3 · Gestão

Semaforização coordenada, sentidos únicos, estacionamento de rebatimento junto à estação, zonas 30.

S4 · Alternativa rodoviária

Ligações que servem o Campus da Justiça e o Centro de Saúde sem usar o canal da Ecopista.

Método e calendário

  1. Out 2026
    Dados

    Contagens em 8 pontos (manhã e tarde, dias úteis), inquérito a utilizadores da Ecovia, pedido formal de dados ao município e à IP.

  2. Nov–Dez 2026
    Modelo base

    Rede a partir do OpenStreetMap, atribuição dinâmica, calibração até erro < 15% nos pontos de contagem. Revisão aberta.

  3. Jan 2027
    Cenários

    Simulação de S1 a S4. Indicadores: tempo de viagem, atraso por cruzamento, veículos·km, emissões, ruído, modos suaves.

  4. Fev 2027
    Relatório

    Publicação em acesso aberto do relatório, dos dados e do modelo. Apresentação à Câmara e à Assembleia Municipal.

Ferramentas: SUMO ou MATSim (simulação de tráfego de código aberto), OpenStreetMap, dados GTFS do Guimabus, contagens próprias. Tudo o que produzirmos fica em acesso aberto, para que qualquer pessoa possa verificar, criticar e melhorar.

Precisamos de ti

Engenharia de transportes, ciência de dados, geografia, planeamento urbano, estatística. Estudantes e docentes da Universidade do Minho. E, acima de tudo, vizinhos com uma hora livre numa manhã de semana para contar carros num cruzamento. Não é preciso saber programar para fazer parte do estudo.